Blocos de petróleo do Litoral catarinense não atraem investidores em leilão da ANP

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O litoral catarinense não recebeu ofertas para exploração na 17ª Rodada de Licitação de Petróleo, realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na manhã de hoje, dia 07, no Rio de Janeiro. Apenas 5 dos 92 blocos ofertados no leilão foram arrematados, nenhum deles em Santa Catarina.

O resultado foi bastante comemorado por ambientalistas, ONGs e lideranças política que se uniram pela causa. Os grupos vinham alertando sobre os riscos da exploração no estado, pois ela seria feita próxima às áreas de preservação ambiental. Além disso, a ANP decidiu não realizar a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar dos blocos leiloados.

Diversos municípios catarinenses realizaram audiências públicas e reuniões ampliadas para debater o tema, Itajaí foi um desses municípios. Na última segunda-feira, 04, na Câmara de Vereadores, o assunto esteve em pauta durante uma reunião ampliada proposta pelo vereador Marcelo Werner (PSC), presidente do Legislativo.

“Estou muito feliz com o resultado. Graças a união de todos, não teve nenhuma empresa interessada em explorar petróleo na nossa região. A reunião ampliada que aconteceu aqui contribuiu para o debate nacional. Ambientalistas e pesquisadores renomados nos alertaram que a exploração de petróleo no litoral catarinense traria danos ambientais incalculáveis em um futuro próximo. Isso não vai acontecer porque o povo disse não! Nosso mar não vai ter petróleo! ”, salienta Werner.

O vereador destaca que o assunto deve continuar em pauta na Câmara de Itajaí. Inclusive, uma Frente Parlamentar Ambientalista deve ser criada na Câmara, assim como um Fórum Permanente de Transição Energética Justa e Inclusiva. “Entendo que devemos passar de uma matriz energética focada nos combustíveis fósseis, para uma com baixa ou zero emissões de carbono, baseada em fontes renováveis. Saímos da Idade das Pedras sem acabar com as pedras, podemos sair da Era do Petróleo sem que ele chegue ao fim. E é para isso que vou lutar”, argumenta Werner.

No leilão, foram ofertados 92 blocos de exploração nas bacias de Potiguar, Campos, Santos e Pelotas. Os únicos 5 blocos arrematados estão localizados na Bacia de Santos, no litoral de São Paulo.

“O Conselho Nacional de Política Energética tomou uma decisão equivocada de sobrepor a exploração fóssil, a perfuração de centenas de poços, exatamente em cima dos taludes de corais e do maciço que garante a biodiversidade e a alimentação de todo pescado que está na mesa dos catarinenses e brasileiros. Hoje, depois das diversas ações civis públicas realizadas, dos mandados de segurança e graças aos grandes debates, conseguimos reverter essa situação. Todos saem ganhando”, destaca o Dr. Juliano Bueno, diretor do Instituto Internacional Arayara e do Observatório do Petróleo e Gás.

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