A criança e a autoestima

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Psicóloga Infantil Tatiana Costa

A autoestima

Autoestima: o nome já nos diz algo. Sentimentos que temos em relação à nossa pessoa, o que influencia em muitas coisas. A maneira como nos posicionamos no mundo, como vamos em busca ou não da satisfação de nossas necessidades, as responsabilidades que assumimos e uma série de outras questões.

A criança, mesmo pequena, já tem noção destes sentimentos, talvez não com grande clareza, mas as têm. Em algumas vezes, são sentimentos ruins, em outras, melhores e satisfatórios. O que nos preocupa, na verdade, são os sentimentos ruins que a criança nutre em relação a si mesma.

O bebê não nasce com sentimentos ruins em relação a si mesmo. Todos os bebês pensam que são maravilhosos. Mas, a forma como uma criança se sente em relação a si mesma é determinada, depois de algum tempo, em grande medida pelas primeiras mensagens que recebe dos seus pais acerca de si própria, ou seja, a criança traduz estas mensagens para si.

Entretanto, não é fácil encontrar a fonte da baixa auto opinião de uma criança. Às vezes, as mensagens recebidas são muito sutis, às vezes resultam de, e são reforçadas por situações e eventos sobre os quais os pais não tinham controle, nem sequer tinham conhecimento. E, além dos eventos particulares de cada história pessoal, a falta de respeito que a nossa sociedade em geral nutre pelas crianças como seres humanos serve para deteriorar o senso de valor próprio de toda criança.

As crianças manifestam sua baixa autoestima de muitas maneiras diferentes. Alguns sinais comuns são: choramingar demais, necessidade de vencer, trapacear em jogos, perfeccionismo, distribuir doces, dinheiro ou brinquedos, recorrer a numerosos dispositivos para chamar a atenção, tais como palhaçadas, bancar o bobo, perturbar os outros, ser retraído ou tímido demais, desculpar-se constantemente, ter medo de experiências novas, desconfiar das pessoas, culpar aos outros por tudo, arranjar desculpas para tudo, querer coisas demais, comportar-se defensivamente, comer demais, agradar demais aos outros, sentir-se incapaz de fazer escolhas e tomar decisões, nunca dizer não.

As crianças possuidoras de uma baixa autoestima necessitam de muitas atividades que envolvam experiências com seus sentidos, focalizando as diferenças e semelhanças entre elas próprias e objetos, animais, gente, frutas e verduras, por exemplo. Por intermédio da consciência das diferenças, elas podem começar a se enxergar com um novo apreço, passando a ver, abordar e estabelecer contato com outros sob este mesmo prisma.

A consciência corporal é um aspecto importante da auto aceitação. A maioria das crianças que possui um baixo conceito de si mesma está pouco familiarizada com seu corpo, com sua forma de sentir, com aquilo que pode fazer, mas também geralmente não gosta de sua aparência (ou do que pensa ser sua aparência).

O primeiro e fundamental passo neste processo para ajudar a criança a se sentir melhor consiste em estimulá-la a aceitar seus sentimentos presentes. Assim, ela pode aprender acerca de si mesma e da sua individualidade partindo de dentro.

Sugestões

Algumas sugestões que podem servir de guia para os pais, no sentido de fortalecer o senso de si próprio da criança:

– escute, reconheça e aceite os sentimentos da criança.

– trate-a com respeito. Aceite-a como é.

– dê-lhe elogios específicos, diretos.

– seja honesto com ela.

– empregue mensagens do tipo “eu” em vez de mensagens tipo “você”. Exemplo: “Estou incomodado pelo barulho da música.”, e não “você é tão barulhento!”.

– seja específico na crítica.

– deixe-a experimentar, perseguir seus próprios interesses, ser criativa ou não-criativa.

– envolva-a na resolução de problemas e tomadas de decisões relativas à sua própria vida. Respeite seus sentimentos, necessidades, vontades, sugestões, a sua própria sabedoria.

– seja um bom modelo.

– Evite julgamentos.

Procure sempre apoiar a criança, mostrando que o bom senso sempre deve fazer parte da nossa vida, onde os conflitos devem ser resolvidos e não “escondidos ou engolidos”. O diálogo vale a pena.

Texto adaptado de Violet Oaklander.

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